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Conhecendo mais sobre o magnésio (mg) e a sua relação com o cálcio.

O magnésio (Mg) é um mineral importante em várias reações celulares. Cerca de 300 sistemas enzimáticos são dependentes da presença de magnésio. O Mg atua como co-fator para mais de 300 enzimas envolvidas em diversas reações do organismo. Sua função primária é como ativador enzimático, sendo determinante para várias funções celulares, incluindo a produção de energia (aeróbia e anaeróbia), formação proteica e replicação celular. O organismo humano contém aproximadamente 20g a 28g de Mg. A concentração normal no plasma é de 1,5 a 2,5 mmol/L, sendo que metade está presente como íons livres, um terço está ligado à albumina e o restante está complexado. Os tecidos com maior concentração de Mg são aqueles que possuem maior atividade metabólica (coração, cérebro, fígado e rins), mostrando, assim, o papel crítico do Mg na produção de energia. Cerca de 60% a 65% do Mg encontra-se no tecido ósseo, 26% a 27% no músculo e o restante, nos tecidos moles e líquidos corpóreos. Aproximadamente 20% a 30% do Mg do osso são livremente intercambiáveis com o Mg do plasma, agindo como tampão, mantendo as concentrações plasmáticas. O Mg e o potássio ajudam a manter uma alcalose metabólica no sangue e, por consequência, diminuir a reabsorção óssea (osteoporose) e a excreção de cálcio na urina. O Mg é determinante para as funções orgânicas, tanto pela importância das suas ações, quanto para a ativação da vitamina D e o balanço de cálcio e de suas funções. O Mg é fundamental para o metabolismo energético, pois, sua função primária é de ativador enzimático, atuando na estabilização da estrutura de ATP nas reações enzimáticas dependentes dele, sendo determinantes para várias funções celulares, como produção de energia, replicação celular, contração muscular. O complexo Mg-ATP é o substrato para enzimas que utilizam ATP. O Mg também é fundamental no metabolismo de Ca, K, P, Zn, Cu, Fe, Na, HCL, acetilcolina, óxido nítrico, para várias enzimas, na homeostasia intracelular, entre outras. O Mg também é requerido para ativar a bomba de sódio e potássio, que bombeia o sódio para fora e o potássio para dentro da célula. Portanto, a deficiência de Mg resulta em um decréscimo de potássio intracelular, prejudicando severamente as funções celulares. O Mg e o cálcio formam complexos estáveis com os fosfolipídios que fazem parte das membranas celulares. Dependendo da concentração de ambos, eles podem agir sinergicamente ou antagonicamente. Assim, o Mg é denominado “bloqueador natural do canal de cálcio”. Na contração muscular normal, o cálcio age como um estimulador, e o Mg, como um relaxante. A reatividade das células vasculares e de outras células musculares lisas depende da proporção adequada de cálcio e Mg. Na depleção do Mg, o cálcio intracelular eleva-se, alterando várias ações hormonais, enzimáticas e dos neurotransmissores. Como o cálcio exerce importante papel na contração, tanto da musculatura lisa como da esquelética, um quadro de depleção de Mg pode resultar em câimbras musculares, hipertensão e vaso espasmos coronarianos e cerebrais. Além disso, foi assinalado o efeito da deficiência de Mg na redução da integridade e da função das membranas celulares, bem como na patogênese de diversas doenças, tais como doenças cardiovasculares, pré-eclâmpsia/eclâmpsia, derrame, hipertensão, diabetes mellitus, asma brônquica, além de envolvimento na enxaqueca, na osteoporose, no alcoolismo e nos distúrbios do sistema imunológico. Sinais e sintomas de deficiência de Mg são: fadiga, depressão, sensibilidade ao ruído, confusão mental, irritabilidade, nervosismo, tensão, insônia, tensão pré-menstrual, inchaços, anginas, hiperatividade, cálculos renais, agregação plaquetária, espasmos esofágicos, cólicas menstruais, dor de cabeça, mialgias, tremores, resistência à insulina, câimbras musculares, osteoporose, perda de apetite, microcalcificações em vários locais no organismo, hipocalcemia e resistência ao tratamento farmacológico com vitamina D. O Mg também ajuda a regular a absorção e o metabolismo do próprio cálcio, através da ação do Mg nos vários hormônios, incluindo o hormônio da paratireoide, a vitamina D e a calcitonina. Portanto, praticamente todas as ações fundamentais que o cálcio exerce no nosso organismo só acontecem, efetivamente, na presença adequada do Mg. No passado recente (40 a 50 anos atrás), a relação de cálcio e Mg na alimentação era de 1 para 1. No comportamento alimentar atual a quantidade de cálcio em relação ao Mg é de 4 para 1, devido ao aumento dos produtos lácteos e dos produtos alimentícios industrializados, em detrimento da alimentação natural. Para compensar os desequilíbrios causados pela alimentação atual, a quantidade deve ser de 2 para 1 (ou mais) de Mg para cálcio. Sabemos que a maior concentração de Mg e de potássio está nos alimentos de origem vegetal, sendo uma quantidade irrisória presente no leite de vaca. Como o cálcio não trabalha sozinho, sem Mg suficiente, esse nutriente pode realmente causar mais mal do que bem. O cálcio é mais conhecido do que o Mg. Mas o Mg é tão importante para a nossa saúde, e tão carente nas nossas dietas, que pessoas que tomam suplementação adequada desse nutriente, muitas vezes acham que foi mágica ou milagre. Beber alguns copos d’água enriquecidos em Mg é uma forma simples de contribuir para aumentar a concentração de Mg no nosso organismo, assim como, aumentar a ingestão de leguminosas, sementes, nozes, grãos de cereais, tofu e os vegetais de folhas escuras, nos quais o Mg é um constituinte essencial da clorofila. Qualquer suplementação nutricional deve ser feita por um profissional competente (nutricionista clínico ou médico especializado) a partir de uma avaliação que considere a individualidade bioquímica. Pessoas com doenças renais ou doenças cardíacas só devem tomar suplementação de Mg ou potássio sob expressa orientação de um profissional competente. FONTES:
Carreiro, Denise Madi. Cálcio, na forma, na medida e no lugar certo. SP: Editora Referência LTDA; 2011. Day et al. A double –blind, placebo-controlled study of the short term effects of a spring water supplemented wiht magnesium bicarbonate on acid/base balance, bone metabolism, and cardiovascular risk factors in postmenopausal women. BMC Research Notes, v. 3, n. 180, 2010.